UFC Estreia na Band: o que esperar dos novos caminhos do MMA no Brasil

O início na Rede TV

Anderson Silva o Spider enfrentou o Japonês Yushin Okami no longínquo 27 de agosto de 2011, em combate válido pelo UFC 134, o UFC voltava ao Brasil depois de 13 anos de espera por um evento em terra brazuca e desembarcou no Rio de Janeiro na Jeunesse Arena, podemos considerar esse evento o responsável pelo explosão do MMA no Brasil, onde até pouco tempo, era proibido até falar de Vale Tudo até em canais de Esporte famosos, na TV aberta então nem se fala, os atletas em sua maioria eram vistos como arruaceiros inconsequentes, covardes sedentos por violência gratuita que não mereciam nenhum tipo de exposição na mídia. Acontece meus amigos que nessa noite tivemos a exibição do evento em rede nacional pela Rede TV, que marcou possivelmente sua maior audiência da história, e o que poderia ser um fracasso de audiência e publicidade se transformou em sucesso que nem o investidor mais otimista do UFC poderia imaginar em seus mais belos sonhos. Capitaneados por Anderson Silva que nocauteou o Japonês no segundo round, o evento foi um sucesso absoluto em todos os sentidos, ajudados por um card que além do Anderson tivemos um Maurício Shogun no auge que nocauteou Forest Griffin ainda no primeiro round, vimos surgir um craque do Striker como Edson Barboza, além do momento que emocionou a todos que foi o nocaute do Rodrigo Minotauro sobre Brendan Schaub ainda no primeiro round, essa luta teve pitadas de Rock Balboa em seu enredo pois a poucas semanas Minotauro praticamente não conseguia nem parar em pé devido a inúmeras lesões e cirurgias acumuladas, a luta teve seu cancelamento cogitado até perto do dia do evento, aliado ao fato de Schaub ser um assassino nocauteador visceral dos pesos pesados, fosse nos dias atuais essa luta jamais seria autorizada pelas comissões atléticas; Minotauro viu uma brecha na defesa de Brendan, e como um tubarão faminto sentiu o cheiro de sangue e partiu pra cima com toda a raça de fazer inveja em Rock Balboa e acertou uma sequência brutal de cruzados, ganchos no rosto do oponente que levaram o americano a desmaiar nocauteado e a torcida foi à loucura absoluta, ali Minotauro alcançou o status de lenda do esporte e tudo transmitido em rede nacional, aquela luta era a quarta em importância do card, poderia acabar ali que o evento já estava pago e o sucesso garantido, essa luta foi tão importante que Anderson Silva falou que não conseguiu nem fazer o aquecimento e preparação adequada pois estava completamente nervoso e torcendo pelo amigo Minotauro.

A transição para a Rede Globo

O Grupo Globo que a pouco tempo proibia qualquer menção de MMA em sua grade de canais viu o sucesso do UFC Rio, a explosão de audiência na Rede TV e acabou por comprar os direitos exclusivos de transmissão no Brasil, o timing não poderia ser melhor, já tínhamos Anderson Silva e José Aldo como campeões absolutos e eram muito populares, a princípio a emissora efetivou de vez o Canal Combate como La Carte (pague para ver) que iria exibir todos os eventos do UFC, tanto card principal como preliminar, na época a internet ainda estava consolidando o sistema de banda larga, portanto as transmissões piratas ainda eram muito trabalhosas, e vivíamos o auge das emissoras de TV por assinatura, Sky e companhia nunca faturaram tanto como naquela época, o fã de luta fazia questão de assinar, foi um sucesso absoluto entre o público do gênero, mas era preciso mais, o UFC Rio só foi o sucesso absoluto que foi, muito pela transmissão em TV aberta pela Rede TV, e se a Rede TV conseguiu um sucesso absoluto o que poderia fazer a Rede Globo e toda sua estrutura que praticamente pega em qualquer televisor do território nacional e para consolidar essa parceria a Globo passou a exibir grandes lutas de brasileiros e fez sua estreia da melhor forma possível no primeiro UFC ON FOX que foi exibido em TV aberta nos Estados Unidos e por aqui tivemos a narração de simplesmente Galvão Bueno que eternizou a frase “São os gladiadores do terceiro milênio” impossível esquecer a emoção do Galvão narrando com emoção de final de Copa do mundo o nocaute de Junior dos Santos Cigano sobre Cain Velasquez com um espetacular overhand de direita aterrissando de forma perfeita sobre a têmpora do mexicano radicado americano; Cain já caiu nocauteado no primeiro minuto do primeiro round, Galvão berrava acabou, Belfort também alucinado comemorava aos berros junto com o narrador, ali a Globo já chegou metendo o pé na porta, o campeão dos Pesos Pesados tradicionalmente sempre tem um plus a mais, a aura de homem mais temido do mundo sempre rende melhores audiências e melhores engajamento em todos os sentidos.

Sobre o sucesso da parceria UFC e Globo no Brasil é impossível não falar sobre o Primeiro TUF no Brasil, o reality show do UFC que tanto fez sucesso na terra do Tio Sam e pela primeira vez teve uma edição fora dos States, o programa foi ao ar no primeiro semestre de 2012 e foi exibido após o Fantástico, para quem sempre teve o Big Brother como norte de audiência e engajamento, um novo reality show numa casa fechada com lutadores querendo um contrato com o UFC se tivesse uma historia bem contada seria praticamente impossível de dar errado, nessa edição tivemos Vitor Belfort e Wanderlei Silva que sempre foram inimigos mortais e foram os escolhidos como professores, a revanche já estava agendada para junho do mesmo ano, melhor escolha não poderia existir e como participantes do TUF tivemos figuras lendárias que até hoje são lembradas pelo grande público, como Francisco Trinaldo Massaranduba o homem que em sua primeira aparição em rede nacional solta a pérola “Eu nasci para bater em outro homem” ali ele já ganhou o fã de luta e muitos dos telespectadores que assistiam o reality como forma de entretenimento em um final de domingo pós Fantástico, o programa foi um sucesso absoluto e as finais foram disputadas no dia 23 de junho de 2012 no ginásio do Mineirinho em Belo Horizonte-MG, tendo como campeões Cezar Mutante no peso médio, e Rony Jason no peso pena ambos venceram na decisão unânime Sergio Moraes e Godofredro Pepey. Infelizmente não tivemos a tão sonhada revanche entre Belfort x Wanderlei Silva, pois Belfort se lesionou antes do confronto sendo substituído por Rich Franklin que venceu Wanderlei por decisão unânime na luta principal do UFC 147

Logo após o TUF a Globo resolveu consolidar a exibição dos eventos pelo Combate, ali começou a usar de um artifício que desagradou demais os fãs, que era o fato de exibir as lutas principais do evento com um certo delay de uns 30 minutos, lembro que na primeira defesa do Cigano contra Frank Mir já usaram dessa estratégia, segundo algumas notas da emissora existia essa restrição em contrato mas nunca ficou muito claro, depois disso a Globo exibia algumas lutas importantes geralmente quando tinha a participação de brasileiros, só os Card do Brasil eram exibidos sem esse atraso, e assim foi prosseguindo até meados de 2020 com a emissora dando total preferência em cooptar assinantes para o Canal Combate, nessa época o boom de engajamento já tinha diminuído drasticamente, Anderson Silva e Aldo já estavam longe de sua melhor forma e nunca apareceu um atleta que pegasse esse bastão de popularidade, e ainda tivemos uma pandemia mundial que dificultou ainda mais essa máquina promocional. Tivemos mais três edições do TUF Brasil, mas o programa teve queda drástica de audiência, aliado ao fato da Globo jogar as exibições para horários horríveis para o público, passando da meia noite de domingo, tanto que a última edição foi exibida em 2015.

Novos tempos Fight Pass e Band

No início de 2022 começaram os rumores da possível não renovação da Globo com o UFC, o contrato se encerraria ao final do ano e o UFC tinha duas pautas principais que era lançar a plataforma UFC Fight Pass no Brasil que é a plataforma de streaming da empresa, onde além da exibição de todos os eventos, temos um vasto cardápio com todas as lutas da história do UFC, Pride, WEC e outros, e também existia o fato do UFC e seus executivos se mostrarem cada vez mais incomodados com o fato da Globo há mais de 3 anos não mais exibir as lutas em TV Aberta, com isso decidiram no meio do ano que não iam renovar o contrato e em agosto anunciaram que a partir de 1º de janeiro de 2023 iriam lançar oficialmente o Fight Pass no Brasil além de efetivarem a parceira com TV Band, o que foi uma verdadeira revolução na questão dos direitos de transmissão, o que temos que levar em consideração, é que o UFC passa a ter mais liberdade de atuação no Brasil até porque a Band vai retransmitir o sinal do Fight Pass, completamente diferente da questão da Globo que tinha uma transmissão própria do Canal Combate e outra da Rede Globo quando essa ainda exibia os eventos, o UFC sabe que mesmo a Globo não fazendo questão de transmitir os eventos em sua grade de programação a questão da máquina promocional da emissora é algo absolutamente surreal, mesmo as audiências das TVs terem caído muito nos últimos anos, a Rede Globo tem uma abrangência em praticamente 100% do território nacional, diz a lenda que no meio da floresta é capaz de uma TV ligada a um gerador conseguir captar o sinal da Globo, na questão da audiência de uma média geral é como se juntar todas as outras emissoras não chega em 20% da audiência que a Globo consegue, portanto um atleta que vai lutar em um evento aparecendo nos Tele Jornais da emissora ou em algum programa de entrevista já tem uma exposição que o UFC não terá em nenhuma outra mídia do Brasil, mesmo não transmitido as lutas, um Jornal Nacional falar do evento duas vezes na semana por 4 minutos já causa mais engajamento que qualquer outra promoção que uma empresa venha a fazer. Já tivemos a primeira experiência desse novo formato no ultimo dia 14 de janeiro no UFC Fight Night Strickland x Imavov, a Band terá o direito a 12 eventos anuais, podendo escolher entre Card Preliminar e o Principal e já gastou o primeiro cartucho no Card Principal do UFC do sábado passado, de início eu vi como positiva a transmissão, a dinâmica, a participação técnica dos comentaristas, algumas falhas de um primeiro evento não chegaram a incomodar, e no UFC RIO do próximo dia 21 de janeiro o a Band vai transmitir apenas o Card Preliminar do evento até pela questão do horário, pois o Card Principal tem previsão de início a meia noite do Domingo, o UFC vai usar a estratégia de cooptar assinantes para assistir o Card Principal pelo seu próprio streaming, possivelmente o público em geral vai criticar até a quinta geração da emissora, que pode ser algo meio agressivo e criar uma antipatia em um primeiro momento, que acho meio desnecessário em um primeiro momento, mas com certeza os managers da empresa acham que os lucros de novas assinaturas valem uma rejeição do público, com a retransmissão do UFC Rio a Band já queima seu 2/12 cartucho do ano, terá direito a mais 10 Cards no decorrer de 2023, agora vamos acompanhar como a emissora vai ajeitar a questão de escolhas de eventos e dos Cards, eu creio que pela questão do horário dos Cards Numerados começarem sempre após as 23 horas se acostumem na emissora priorizando os Cards Preliminares resta saber como será a aceitação do público com essa estratégia estaremos de olho.

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